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                                     pesquisa e criação: Armando José Capeletto

        Capivara (Hidrochoerus hidrochaeris)

[capivara]        A capivara é a maior espécie de roedor conhecida, habitando desde a América Central até o Norte da Argentina, e pertence à espécie Hidrochoerus hidrochaeris (Linnaeus 1766). É mamífero herbívoro e seu peso, quando adulto, pode chegar até 80 kg; seu comprimento está entre 1 m e 1,35 m.

        É um animal compacto musculoso, seu rabo é muito pequeno, pelagem de cor castanho-avermelhada. Suas patas dianteiras possuem quatro dedos e as traseiras, três. Entre elas há uma membrana, que facilita a natação.

        As fêmeas têm 6 pares de mamas, podem dar 2 partos por ano e produzirem até 6 filhotes por parto, porém a média é de 4 filhotes. O período de gestação é de 150 dias. Os filhotes nascem com peso médio de 1,5 kg, com olhos abertos, bastante espertos, mamam logo após seu nascimento e podem começar a pastar imediatamente. O período de amamentação pode chegar a 120 dias, após este período irão formar novos grupos. [capivaras na água]

        As capivaras têm sua audição e olfato muito desenvolvidos e, a qualquer sinal de perigo, saem em disparada; quando em fuga, podem saltar obstáculos de até 1,5 m e se atirarem de barrancos de 4 m para alcançar a água, que é seu refúgio natural.        Se o observador não for muito atento, não terá condições de se diferenciar o macho da fêmea, pois são muito parecidos e não diferem também de tamanho. As genitálias são cobertas por um saco anal, que se abre no momento da cópula; as glândulas mamarias são pequenas e pouco visíveis.

        Para diferenciar com segurança o sexo, o observador deve-se aproximar do animal e observar na parte superior da cabeça, onde se encontra uma proeminência glandular de coloração escura e totalmente desprovida de pêlos, ambos os sexos possuem esta glândula, porém a do macho é maior. Esta glândula produz um líquido de cheiro característico que estimula as fêmeas sexualmente, além de servir para demarcar territórios. Os machos esfregam sua cabeça em troncos de árvores e demarcam seus espaços.

        A capivara é um animal que vive em bandos, juntos eles se alimentam, banham-se e descansam; é dentro do próprio grupo que os machos encontrarão as fêmeas para copularem.

[família de capivaras]        Os animais sempre formam famílias onde há um macho e várias fêmeas "que podem chegar a dez"; e seus filhotes, estes permanecem com o grupo até se desmamarem, após esta fase, eles irão formar novos grupos. Após o período de gestação, que dura em média 150 dias, a fêmea pode dar cria até 6 filhotes, porém a média é de 4.

 

        A vida reprodutiva da fêmea é de 4 anos e o macho é de aproximadamente 5 anos.

        Tanto os machos quando as fêmeas, estão aptos para reprodução a partir de 25 meses de idade, quando atingem sua maturidade sexual completa, e com peso de aproximadamente 40 kg.

        A capivara é um animal herbívoro, sendo que este tipo de alimento já faz parte de sua alimentação, quando os filhotes ainda estão mamando. Estes animais são bastante seletivos quanto ao alimento e competem com o gado bovino, pois as capivaras cortam o capim bem rende ao chão tornando-as pastagens superpastejadas. A forragem verde é o alimento principal das capivaras, porém quando em cativeiro não é suficiente para suprir todas as necessidades biológicas do animal, necessitando de uma complementação alimentar.

        Estes animais tem o hábito de se alimentarem pela manhã e à tarde. A hora de maior atividade de forrageamento é à tardinha, no restante do tempo, os grupos repousam nos matos e banham-se na água. Uma capivara adulta com peso aproximado de 40 kg consome 3 kg de gramíneas ao dia, e a jovem até 20 kg consome 2 kg. Os animais acima de 40 kg podem consumir até 5 kg de forragem fresca por dia.

[criação do Lageado, Botucatu-SP]

        Carne macia, pouca gordura, baixo custo de produção e excelente preço no mercado internacional. Mesmo com todas estas qualidades, o Brasil ainda não descobriu a capivara como um bom negócio.

        Com o ótimo preço da carne e do couro no mercado e baixo custo de produção, a espécie pode virar uma fonte alternativa de lucros para produtores da região. A sugestão é da professora Sílvia Nishida (Unesp/Botucatu), que montou uma criação com 20 capivaras na na Fazenda Experimental Lageado para pesquisa e incentivo técnico.

        "A capivara pode ser um negócio muito produtivo, porque ela possui uma elevada taxa reprodutiva e ótimo preço do couro e da carne no mercado da Europa e países asiáticos", diz a pesquisadora do Departamento de Fisiologia, Sílvia Mitiko Nishida, que estuda o animal desde 1992.

        Ela garante que a região do Centro Oeste Paulista tem ótimo potencial para começar a produzir e, inclusive, exportar carne e couro da capivara. O animal é abundante e se reproduz bem em áreas com alagados inexplorados. "Conhecemos um grande número de propriedades com estas características que poderiam investir nesse tipo de criação como opção alternativa e complementar, principalmente as que possuem recursos hídricos sem qualquer tipo de aproveitamento".

        Enquanto a vaca pare apenas um, raramente dois filhotes por gestação, a fêmea da capivara pode parir de 3 a 8 filhotes. "Com seis fêmeas adultas, pode-se estimar em média 27 filhotes em um ano, já contabilizando as perdas". Outra vantagem é que por ser uma espécie rústica, adaptada às nossas condições climáticas, ela é mais resistente a doenças quando comparada a outras espécies domésticas como o gado bovino e ovino, o que reduz o custo de produção e potencializa o rápido retorno.

        Para se ter um exemplo, uma produção de 100 capivaras de 40 kg cada tem potencial de 3.800 toneladas de carne para comercialização. Com um investimento inicial girando em torno de R$ 8 mil, conforme o modelo de criação intensivo, o negócio pode render no mercado nacional R$ 30 mil por ano, dois anos depois do início da criação. Este valor pode ser ainda maior no mercado internacional. Cada capivara de 40 kg possui 15 quilos de carne aproveitável. Com um gosto semelhante ao do coelho, tem ótima aceitação em restaurante exóticos.

        O couro também tem bom mercado. É considerado de excelente qualidade na fabricação de bolsas, sapatos e cintos. Já curtido, chega a custar cerca de US$ 40,00 o metro quadrado.

        Sílvia afirma que na região de Piracicaba e no Vale do Ribeira há alguns produtores que já descobriram o negócio das capivaras, mas não têm atendido a demanda.

        Por ser um animal da fauna silvestre, antes de começar a criação é preciso apresentar um projeto e conseguir autorização do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente).

        De acordo com estudos de Nishida sobre o comportamento e organização social do animal, nesta espécie o macho dominante é melhor reprodutor, porque tem prioridade de acesso às fêmeas no cio. Quanto maior a fertilidade dele, maior a produtividade da criação.

        Ao identificar os machos dominantes no grupo, o que pode ser feito por simples observação, é possível determinar a taxa reprodutiva e, a partir da seleção genética, utilizar seus descendentes como reprodutores.

        Para cada seis a oito fêmeas, o ideal é manter dois machos. "Se o número de machos adultos na criação aumentar muito no grupo, há muita competição e luta pelas fêmeas e por alimento, o que danifica o couro, que tem aproveitamento comercial, e provoca o estresse social, diminuindo a taxa de crescimento".

ALHO, C. Jr. (1996). Criação e manejo de Capivaras em Pequenas Propriedades Rurais. Brasília, EMBRAPA/DDI.48p.
MINAS GERAIS (Estado). Técnicas agropecuárias. SECRETARIA DE ESTADO DE AGRICULTURA PECUÁRIA E ABASTECIMENTO DE MINAS GERAIS.
(30/04/2002).
SILVA NETO, E. (1997). Criação de Capivaras. 16p.
VILARDAGA, J. V. (1986). Vida Extra. São Paulo, Editora Três. 40p.


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atualizado em: maio/2002

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