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pesquisa e criação: Armando José Capeletto

História do chinchila

[condensado de: SANTOS, J. Chinchila @ Bichos do mato.]

        Antes de serem conhecidos, os chinchilas viviam em harmonia nas encostas rochosas dos Andes, no Chile, Peru, Bolívia e Argentina.

        No Séc. XV uma tribo de índios chamados "chinchas" caçava este pequeno animal para lhe servir de alimento e usavam as suas peles macias como mantas e colchões.

        Tempo depois, os chinchas foram conquistados pelos incas e, sob as leis incaicas, foram proibidos de usar peles de chinchilas. Estas passaram a ser a pele favorita da realeza e serviam para adornar somente os nobres de berço.

        No Séc. XVI, os incas foram conquistados pelos espanhóis que, ao chegarem àquelas terras, batizaram aqueles pequenos animais de "chinchilas" por causa do nome dos índios.

        Conta-se que um emissário espanhol, querendo ganhar a confiança e favores da sua rainha, mandou-lhe uma caixa repleta de jóias e ouro. Para proteção, envolveu a forte caixa de madeira num manto de pele de chinchila que tinha sido tirada de um líder inca. No entanto, o mensageiro roubou todas as jóias e mandou à rainha somente a caixa e o manto de pele de chinchila. A rainha ficou tão contente com a qualidade da pele que mandou procurar o mensageiro para ser levado à corte. Em vez de ser torturado como esperava, o mensageiro foi tornado cavaleiro da rainha, como forma de agradecimento pela mais luxuosa pele que jamais fora vista.

        Tão grande popularidade ganhou a pele dos chinchilas e os pedidos eram tantos, que os espanhóis começaram a caçar e a comercializar o produto. Entretanto, os ingleses também chegaram à região hábitat da chinchila por causa dos minérios existentes na zona. Várias empresas mineiras foram criadas e trabalhadores ingleses foram chegando. Junto com eles chegou também o seu esporte favorito, a caça à raposa.

        Como as raposas não eram um animal nativo, várias raposas foram levadas para o hábitat dos chinchilas e rapidamente se reproduziram porque a alimentação - os próprios chinchilas - era abundante: enquanto os ingleses caçavam raposas nas manhãs de domingo, as raposas caçavam chinchilas todos os dias, dia e noite.

        Na virada do século o chinchila encontrava-se quase extinta. Somente em 1918 os governos do Chile, Peru e Bolívia acordaram em proibir a exportação de peles e a caça destes pobres animais. No entanto, o mal já estava feito.

        Todos os apreciadores de chinchilas devem agradecer ao senhor Mathias F. Chapman pelos belos amigos peludos que têm em suas casas. Em 1918, este senhor trabalhava no Chile como engenheiro de minas para uma empresa chamada "Anaconda Copper". Um dia, um índio nativo trouxe ao acampamento onde estava o senhor Chapman um chinchila dentro de um cantil para a tentar vender. O Senhor Chapman comprou-o e tornou-se cada vez mais interessado neste pequeno animal. Depois de estudar o exemplar que tinha comprado, planejou capturar e levar para os Estados Unidos o maior número possível de chinchilas. De início, pensou na criação para animais de estimação mas depois desenvolveu a idéia para a produção de peles, onde o mercado era maior.

        Nessa altura o chinchila estava praticamente extinto e foram precisos cerca de 3 anos para que, com vários batedores e depois de várias viagens ao vale do rio Juncal no Peru, fossem encontradas somente 11 chinchilas. Desses 11, sabe-se que alguns eram da espécie lanígera e outros da espécie costina, representando diferentes áreas e só três eram fêmeas. O transporte e a autorização para a exportação de chinchilas também foi difícil. Para gradualmente se adaptarem à mudança de altitude, foram transportados em caixas de madeira fechadas para não deixar entrar a luz do sol, arrefecidas com gelo para compensar o aumento da temperatura.

        Finalmente, em 1923, Chapman conseguiu autorização do governo do Chile para exportar os chinchilas e, depois de terem viajado de comboio até à costa, embarcaram num barco japonês que os levaria até San Pedro, na Califórnia. Para entrarem no barco sem serem declaradas, Chapman, a sua esposa e alguns amigos levaram os chinchilas dentro dos bolsos. Só depois de estarem ao largo, Chapman disse ao capitão do navio que tinha os animais no seu camarote. Por causa do calor a bordo, o senhor Chapman e a sua esposa embrulharam as gaiolas com toalhas frias e tiveram que fazer turnos para fornecer os compartimentos de gelo que foram construídos nas gaiolas.

        Em 22 de Fevereiro de 1923 chegaram a San Pedro com 12 Chinchilas. Um dos adultos tinha morrido, mas duas crias haviam nascido durante a viagem.

        Os 12 Chinchilas ficaram em Los Angeles até que a primeira fazenda de criação de chinchilas fosse construída. No entanto, alguns problemas atrapalharam os planos o senhor Chapman: o roubo de alguns chinchilas, que acabaram por morrer quando foram enviadas para a Europa e a contaminação da nascente de água que era usada para o fornecimento dos animais atrasaram e tornaram mais complicados os planos.

        Com a construção de uma nova fazenda, desta vez em local não divulgado, Chapman estudou edifícios inovadores na construção e qualidade. tanto o edifício principal como as gaiolas e até as caixas-ninho foram isoladas de maneira que os animais se sentissem como no seu hábitat natural. A idéia não visava lucro e sim o sucesso da criação em cativeiro. Graças a todos estes cuidados, os chinchilas proliferaram.

        Anos depois de Chapman morrer, em 1934, mais alguns exemplares foram trazidos do hábitat natural para cruzamentos. De qualquer maneira, todos os chinchilas atuais são, de alguma maneira, descendentes do grupo original de 11 elementos, trazidos pelo senhor Chapman.

Mathias Chapman

M. Chapman, o homem que introduziu a chinchila no século XX.

 

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atualizado em: fevfereiro/2003

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