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                                     pesquisa e criação: Armando José Capeletto

Histórico do melhoramento genético
dos animais domésticos no Brasil

[texto provisório]

(texto condensado de EMBRAPA, 2001)

        Melhoramento genético em bovinos de corte, início do melhoramento animal no Brasil

1900-1910 - em Nova Odessa, SP, foi instalado um posto pecuário com o objetivo de selecionar tanto o gado Mocho Nacional quanto o Caracu.

resultados positivos nos produtos oriundos dos cruzamentos entre o gado existente no Brasil e o gado zebuíno de importação recente, cresce a demanda por informações de cruzamentos deste gado com raças européias.

1915 - início da criação de gado exótico em estações experimentais. além da seleção do Caracu e Mocho Nacional, iniciou-se a criação de "Polled Angus", "Hereford" e "Schwytz". Criava-se, ainda, na fazenda Amparo, localizada no Estado de São Paulo, o gado "Red Poll".

1940-1950 desenvolvimento de uma raça nacional que aliasse à rusticidade e adaptabilidade do zebu, o maior potencial de produção do gado europeu. Assim, é que se constituíram as raças Canchim e Ibagé, que foram seguidas nas décadas subseqüentes pelas raças Pitangueiras, Lavínia, Santa Gabriela e outras. Neste período floresceram os trabalhos voltados à caracterização biológica no tocante a características reprodutivas e desempenho ponderal tanto quanto os estudos comparativos. A fase seguinte caracterizou-se pelos estudos relacionados com a determinação de parâmetros genéticos que foram seguidos de trabalhos mais intensos de cruzamentos.

1949 em diante - iniciam-se os concursos de boi gordo. Tais eventos tinham como objetivo precípuo orientar os criadores e invernistas na seleção e criação de animais capazes de produzir carne o mais precocemente possível.

1950, consolida-se a Estação Experimental de São José do Rio Preto, SP, iniciando-se o trabalho de seleção do gado nelore. Neste período, em Ribeirão Preto, SP, foi criada uma estação experimental voltada para seleção e criação do gado gir. A seleção do gir tem, no entanto, na estação de Umbuzeiro na Paraíba, PB, seu primeiro centro de seleção. Segundo Domingues (1966), a seleção deste gado se iniciou, nesta estação experimental, na década de 1930. Ainda no final desta década, foi criada em Uberaba, MG, a Fazenda Experimental de Criação. Assim, segundo o autor, essas duas estações são as pioneiras no estudo e melhoramento do gado zebu no Brasil.

1951 - iniciam-se, sob a coordenação de João B. Villares, as provas de ganho de peso com o objetivo de identificar animais geneticamente superiores para desenvolvimento ponderal.

        Testes de progênie de touros zebuínos também foram iniciados nesta década.

        No final dos anos de 1960, outra iniciativa, o Programa de Controle de Desenvolvimento Ponderal (CDP) pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), estabeleceu as bases necessárias a um novo impulso no melhoramento animal de zebuíno de corte.

        A próxima etapa nesta evolução do melhoramento genético animal no Brasil foi constituída pelos trabalhos de determinação de parâmetros genéticos, fase que também se caracterizou pelo início de formação de um número maior de profissionais treinados em melhoramento genético animal.

        Estabelecimento de programas abrangentes de melhoramento animal

        Constituída esta base inicial, foram estabelecidos programas de avaliação e seleção dentro de rebanhos de corte e de leite. Em rebanhos de corte, o critério de seleção era constituído de peso à desmama, ao ano e aos dois anos de idade; com o tempo este critério evoluiu para além do peso, incluiu o ganho de peso. Mais tarde, os pesos mais importantes passam a ser desmama e sobreano. Retomam-se, também, os cruzamentos entre taurinos e zebuínos. Nesta fase inicial, as raças européias de grande porte dominam o cenário.

        A partir do final da década de 1970, início dos anos 1980, iniciam-se as avaliações entre rebanhos, permanecendo os mesmos critérios de seleção, e a metodologia utilizada era a de índices, na qual consideravam-se a herdabilidade e o número de filhos por reprodutor. As pressuposições, neste caso, eram:

acasalamentos ao acaso em todos os rebanhos;

inexistência de seleção; e

somente indivíduos com filhos acompanhados recebiam avaliação genética.

        A segunda metade dos anos de 1980 foi caracterizada pelo início das avaliações genéticas utilizando-se da metodologia dos modelos mistos, tendo como ponto de partida o modelo de touro e evoluindo rapidamente para o uso do modelo animal, que é capaz de levar em consideração:

acasalamentos dirigidos;

as diferenças genéticas existentes entre grupos;

DEP para todos indivíduos (no caso do modelo animal), além de possibilitar a estimação de tendências genéticas.

precocidades reprodutiva e de acabamento assumem importância cada vez maior, com fertilidade, ganho de peso e eficiência de produção. Mais recentemente surgem como demandas adicionais a maciez da carne e, de forma ainda bastante incipiente, a resistência a parasitos, principalmente, ao carrapato.

        Além das características já mencionadas, merece discussão mais detalhada, mas principalmente, deve ser objeto de esforço conjunto, o desenvolvimento de ações entre o melhoramento genético e outras áreas do conhecimento, especificamente, áreas como nutrição/alimentação, reprodução,fisiologia e biologia molecular para o desenvolvimento de estudos, basicamente de seleção, que possibilitem promover:

mudança da curva de crescimento;

mudança no nível de ingestão de alimentos;

incremento da taxa de maturidade;

redução de taxa metabólica ou na energia necessária para mantença, e

mudança na capacidade de perdas calóricas. Tais esforços deveriam ter avaliados seus efeitos e suas interações com outras características economicamente importantes e serem auxiliados pelas novas biotécnicas, principalmente, no que diz respeito à identificação de marcadores genéticos associados a tais características.

        Nos últimos anos, principalmente pela necessidade de se aumentar a eficiência de produção, a pecuária de corte tem passado por uma restruturação global que tem trazido uma preocupação crescente com melhoria genética.

        Melhoramento genético em gado de leite

        A preocupação dos criadores brasileiros com a produção de leite, utilizando-se o zebu, é registrada desde o início do século, em 1916, na revista Chácaras e Quintais, como relata Domingues (1975). Apesar de já nesta época as recomendações técnicas indicarem a necessidade de se preocupar, nos trópicos, com idade à primeira cria, intervalo interpartos e comprimento do período seco, a produção de leite persistia como sendo a única característica importante.

        Domingues (1947) apresentou um esquema para fazer do gado indiano um gado leiteiro. Segundo o autor, quatro eram as possibilidades:

seleção dentro do gado guzerá e gir;

importação das raças Sindi e Sahiwal;

seleção dentro da vacada comum; e

cruzamento do zebu com raças leiteiras Bos taurus, principalmente, a raça Holandesa.

        Paralelamente a estes trabalhos de seleção empírica que continuava ocorrendo no país, consolidavam-se os cruzamentos entre raças européias e zebuínas como forma de se melhorar a produção leiteira. Tais cruzamentos eram, em sua maioria, formados por combinações entre zebuínos e holandês. Estes eram, no entanto, desordenados, por serem resultantes da pouca preocupação e da dificuldade de planejamento por parte dos produtores e pela inexistência de um equilíbrio genético definido, o que até aquele momento era também desconhecido.

        Ainda no final da década de 1940, iniciou-se, em Uberaba, na Fazenda Experimental de Criação, um trabalho de seleção para leite, de um rebanho, puro indiano, sem a preocupação de caracterização racial. Assim, foram selecionadas as primeiras vacas com base exclusivamente no desempenho. Este foi o gado que, segundo Domingues (1966), daria origem ao zebu-leiteiro. Na tentativa de se aumentar a participação de produtores de leite e, principalmente, de divulgar os resultados que vinham sendo obtidos e ao mesmo tempo, valorizá-lo, são, na década de 1950, instituídos os torneios leiteiros no Brasil.

        O desenvolvimento do zebu-leiteiro iniciado em Uberaba mostrou-se promissor. A média de produção diária do zebu-leiteiro era 7,6 kg superior àquelas obtidas por raças européias criadas em várias estações experimentais de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Outro parâmetro importante, a duração da lactação, evoluiu, ainda segundo os mesmos autores, de 263,1 dias em 1950, para 273,2 em 1959. Ao lado disso, a utilização de cruzamentos euro-indianos para produção de leite no Brasil firmava-se como uma alternativa viável, como foi evidenciada por Villares et al. (1947), que concluíram, após uma extensa revisão, que a combinação de raças zebuínas e taurinas eram responsáveis pelas seguintes melhorias:

aumento da produção de leite;

maior regularidade de parição; e

produção mais econômica.

        A partir da década de 1970, com base na opinião generalizada entre os especialistas, de que o gado mestiço de europeu-zebu continuaria predominando nos sistemas de produção de leite por muito tempo, estabeleceu-se o Programa do Mestiço Leiteiro Brasileiro. Mais tarde, em 1985, foi estabelecido o Programa do Gir Leiteiro. Esses programas, ainda em andamento, são coordenados pela Embrapa Gado de Leite.

        Melhoramento genético em aves

        O Relatório da Agricultura de 1943, citado em Martins (1991), apresentou a discussão sobre a necessidade de se iniciar o desenvolvimento de novas modalidades de produção animal, entre as quais mencionou-se a avicultura. Essa preocupação inicial transformou-se em ações concretas e, assim, na década de 1950, foram iniciados os trabalhos pioneiros no tocante à genética de aves no Brasil. De acordo com Torres, em 1957, o Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária de Centro-Sul iniciou um programa destinado à obtenção de aves poedeiras comerciais. A esta mesma época, segundo Schmidt & Ávila (1990), a granja Guanabara começou seus trabalhos com melhoramento genético com vistas ao desenvolvimento de aves para corte.

        Trabalhos pioneiros de cruzamentos envolvendo as raças Cornish Branca, New Hampshire e Plymouth Rock Branca, com o objetivo de se obterem frangos mais precoces, resistentes e eficientes e com melhor conformação de que os de raça pura, também foram iniciados nesta década na estação Experimental de Pindamonhangaba, SP.

        Nos anos de 1960, a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ) iniciou pesquisas em genética de galinhas. A partir de meados dos anos de 1970, a seleção de linhagens deu lugar às pesquisas em genética. A próxima instituição brasileira a se engajar nesta luta, de acordo com Torres, foi a Universidade Federal de Viçosa. Ao final da década de 1970 início dos anos 1980, outras instituições ligadas à pesquisa começaram a investir em melhoramento genético de aves. Podem ser citados o Instituto de Zootecnia em Nova Odessa, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade de Santa Maria (UFSM).

        Mais tarde, já em 1983, a Embrapa, por meio do Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves (Embrapa Suínos e Aves), iniciou o seu programa, visando à formação de linhagens de aves comerciais para produção de carne que, posteriormente, tornou-se mais abrangente, incluindo um programa de linhagens para postura.

        No entanto, apesar de todos estes esforços, o desenvolvimento da área de genética avícola no país é inferior ao que se deveria esperar. Possivelmente, os avanços obtidos por outros países na obtenção de linhagens altamente produtivas tenham contribuído para que poucos programas fossem implantados e, principalmente, implementados com êxito. Por outro lado, o consumo, a produção e a exportação de carne de frango têm crescido consistentemente entre os anos de 1974 e 1983 (Tabela 3). Esses dois fatos contrastantes configuram uma avicultura dicotômica, onde a alta produtividade é, todavia, fundamentada em desenvolvimento genético de outros países.

        O final da década de 1980 permitia vislumbrar um futuro promissor para a área de genética de aves no Brasil, como vaticinava Torres. Os anos de 1990, no entanto, pela abertura de mercado, pela globalização, talvez pela competição com a iniciativa privada que pelo controle de algumas multinacionais dominam o mercado de matrizes, fez com que os esforços governamentais nesta área diminuíssem levando aqueles diretamente envolvidos no setor a preverem o desaparecimento em um futuro próximo, caso não se consiga convencer a iniciativa pública e/ou privada que é possível obterem-se retornos econômicos com melhoramento genético de aves no Brasil.

        Melhoramento genético em caprinos

        À semelhança dos bovinos, os primeiros caprinos a serem introduzidos no Brasil vieram da península Ibérica e possivelmente tenham chegado aqui nos primeiros anos do Brasil colônia. Esses animais se adaptaram, principalmente, em regiões semi-áridas das Américas o que, segundo Figueiredo (1990), explica a grande semelhança existente entre produção e grau de adaptação dos diversos ecotipos ou raças de caprinos nelas existentes. No entanto, somente nos últimos cinqüenta anos a caprinocultura brasileira tem recebido maior dedicação por parte dos pesquisadores e produtores.

        Apesar de ser de introdução tão antiga, pouco se dedicou, em pesquisas, nesta espécie. Até meados deste século, alguns poucos esforços, para caracterização biológica, foram feitos. No entanto, segundo Figueiredo et al. (1987), a ênfase maior na produção e pesquisa em caprinos foi iniciada após a criação do Centro Nacional de Pesquisa de Caprinos da Embrapa (Embrapa Caprinos) em meados dos anos de 1970.

        De acordo com Figueiredo (1990), a contribuição da pesquisa brasileira na área de melhoramento genético tem sido a identificação de tipos de cruzamentos mais adequados a diferentes sistemas de produção e o estabelecimento de critérios de seleção de reprodutores e matrizes. Resultados experimentais, como os de Bellaver et al. (1983) indicam grandes diferenças entre grupos genéticos no tocante a desempenho ponderal pré-abate, peso de carcaça quente, comprimento de carcaça, comprimento de perna, profundidade de tórax, peso de pele e rendimento de carcaça. Diferenças entre raças são também reportadas por Figueiredo et al. (1982), citados por Figueiredo et al. (1987).

        Pesquisas mostraram que na região Nordeste, maior produtora nacional de caprinos, a seleção para animais de duplo propósito conduz a um aumento da eficiência de produção de proteína no sistema. Tais resultados, segundo Figueiredo et al. (1987), redirecionaram as pesquisas em caprinos, que eram primariamente voltadas para produção de carne, tendo na produção de pele, sua segunda atividade, para priorizarem a produção de leite.

        No tocante à produção leiteira, alguns resultados podem ser encontrados em Rodrigues et al. (1982) e Souza et al. (1984). Esses resultados permitiram aos autores concluir que o potencial de produção de leite das raças adaptadas ou dos grupos chamados sem raça definida é baixo e, por isso, não é interessante economicamente mantê-las com este propósito.

        Assim, considerando-se os resultados acumulados, conclui-se que o cruzamento com raças exóticas, como a Parda Alemã, seria o caminho mais indicado. Hoje, além dos programas conduzidos em cooperação com instituições de pesquisa e universidades, existem alguns sendo desenvolvidos por cooperativas como é caso do Programa de Melhoramento de Caprinos da Copercana que tem como objetivo principal a melhoria da produção leiteira conforme Pinto (1996).

        Melhoramento genético em ovinos

        Apesar de os ovinos serem criados no Brasil há muitos anos, só muito recentemente iniciaram-se os trabalhos de melhoramento genético nesta espécie. A preocupação com a criação e melhoria de suas características produtivas fica evidente, já no início deste século, com a criação, em 1918, em Itapetininga, SP, da Fazenda de criação que tinha como objetivo a criação de ovinos Romney-Marsh. De acordo com Cardellino (1996), os objetivos de seleção para esta espécie, no Brasil, ainda não estão bem definidos por falta de estudos formais para tal identificação e, principalmente, pela falta de estruturação dos mercados de lã e carne.

        Assim, mesmo havendo outras características de importância para a indústria, aquelas que integram os objetivos de seleção são: peso de velo sujo, peso de velo limpo, diâmetro das fibras, comprimento de mecha e fibras pigmentadas. Ainda segundo o mesmo autor, apesar de o melhoramento genético de ovinos não se constituir em uma atividade consolidada no Brasil, há progressos e pode-se prever um grande potencial para o futuro.

        Dentre as iniciativas consideradas marcantes voltadas para o melhoramento genético desta espécie, pode-se destacar a estruturação, em 1978, do Programa de Melhoramento Genético de Ovinos (PROMOVI) voltado para melhoria da produção e qualidade da lã. Em 1989, iniciaram-se entendimentos para se estabelecer o PROMOVI direcionado para carne, que à semelhança do anterior, que era voltado para lã, tem encontrado dificuldades para se expandir e se estabelecer. Atualmente, parece receber maior atenção por parte dos criadores, o teste dentro de fazenda.

        Quanto à metodologia de avaliação, sua evolução para ovinos lanados não tem seguido aquela observada no desenvolvimento dos métodos, principalmente no tocante ao uso de modelo animal, não só pelo volume de informações disponíveis, mas também pela sua qualidade e pelo tipo de dados disponíveis (Cardellino, 1996). A situação não é muito diferente no que se refere a ovinos deslanados de acordo com Souza (1996).

        Existe um programa nacional, coordenado e gerenciado pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), que é o Serviço de Registro e Análise de Dados de Desempenho para Avaliação Genética de Reprodutores Ovinos Lanados (SAGRO). De acordo com Ojeda (1996), esse serviço desenvolve um programa de avaliação e seleção que envolve três etapas:

avaliação individual comparativa dentro de grupo contemporâneo no estabelecimento;
este centralizado de desempenho de cordeiros das raças para carne; e

avaliação de carneiros pelo desempenho das progênies em centrais de teste.

 

        Melhoramento genético em suínos

        O início da preocupação com o melhoramento genético de suínos no Brasil confunde-se com o despertar desta consciência na Europa. A Dinamarca, primeiro país a investir em melhoramento genético de suínos, iniciou, segundo Irgang, os testes de progênie em 1910.

        No Brasil, em 1916, foi fundada a fazenda de criação de Barueri, SP, que tinha como um dos objetivos o melhoramento do porco nacional Canastrão por meio de seleção e cruzamentos. Nesta fazenda criava-se, ainda, para seleção, animais importados das raças Duroc Jersey e Polland-China.

        Em 1956, foi estabelecido um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Produção Animal e o Departamento de Produção Animal da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo que, entre outros itens, previa o desenvolvimento de projetos de melhoramento animal envolvendo suínos, aves, e bubalinos. No tocante a suínos, fizeram parte do mencionado acordo, os projetos englobando seleção e melhoramento de animais da raça Duroc-Jersey a serem desenvolvidos na Fazenda Experimental de Criação de Sertãozinho, em São Paulo, e na Fazenda Experimental de Criação de Santa Mônica, no Estado do Rio de Janeiro. Em Sertãozinho seriam ainda conduzidos os trabalhos de fixação de características raciais e o melhoramento de características produtivas da raça Piau. Trabalhos semelhantes seriam realizados na Fazenda Experimental de São Carlos, SP. A seleção e melhoramento dos suínos Nilo-Canastra ficariam sob responsabilidade do Posto Experimental de Araçatuba, SP.

        Ainda na década de 1950, iniciaram-se as importações de raças como a Berkshire, Tamworth e Wessex, ao mesmo tempo que eram feitas novas importações de Duroc Jersey e Polland China. A década de 1960 foi marcada pelas importações provenientes dos Estados Unidos, principalmente, de suínos das raças Duroc, Yorkshire e Hampshire. Nesta época, foram introduzidas, da Europa, as raças Landrace e Large White. Este volume de introdução de material genético selecionado e de boa qualidade resultou num processo de substituição das raças nacionais que eram predominantemente do tipo banha e marcou o início da intensificação de criações de suínos de raças puras do tipo carne. Surgiram então os criadores especializados reunidos na Associação Brasileira de Criadores de Suínos. Somente nos anos de 1970, têm início os testes de progênie, com os quais são formados os primeiros plantéis núcleos nacionais.

        Os cruzamentos entre raças também se constituíram em importante forma de se aumentar a produtividade dos plantéis. O impacto deste processo pode ser avaliado em diversos trabalhos com Irgang et al. (1990) e Irgang et al. (1993). Os resultados destes trabalhos indicaram aumento na taxa de ganho de peso diário, melhoria da precocidade, maior número de embriões viáveis e maior número de leitões por leitegada.

        Na década seguinte, de 1980, deu-se início à uma grande transformação na genética de suínos no Brasil, principalmente pela organização e estruturação de programas bem elaborados.

        Iniciam-se, assim, os testes de desempenho e os chamados testes de granja, que são conduzidos pelos criadores de reprodutores. Nesta mesma época, grandes empresas de melhoramento genético, como Agroceres-PIC e Seghars-Humus pecuária, iniciaram atividades comerciais no Brasil. Tudo isso levou a suinocultura à produção e comercialização de fêmeas F1, à intensificação da comercialização de reprodutores mestiços e à ampliação dos plantéis núcleos existentes, bem como à instalação de novos núcleos.

        Neste período, intensificaram-se os programas de seleção que tinham como principal objetivo de seleção o aumento da taxa de crescimento, e estabeleceram-se como empresas brasileiras detentoras de programas de melhoramento genético, a Sadia, a Granja Rezende e a Agroceres. Somente no início dos anos de 1990, teve início a preocupação com a seleção para aumento do rendimento de carne. Nesta década, segundo Irgang, viabilizou-se o uso de técnicas de DNA para melhoria genética dos plantéis.

        À semelhança do que vem ocorrendo com outras espécies de animais domésticos, o melhoramento genético de suínos vem passando por modificações e se adequando às metodologias modernas de avaliação. Isso pode ser observado pelas constatações feitas por Irgang, de que os testes de progênie que receberam muita atenção nos anos de 1970, e eram realizados nas chamadas Estações de Avaliação de Suínos (EAS), tiveram sua importância reduzida até finais dos anos de 1980, quando deixaram de existir.

        Melhoramento genético em búfalos

        Há muitas décadas o búfalo vem sendo criado no Brasil sem que, no entanto, tenha havido um programa mais intenso de melhoramento genético nesta espécie. Apesar disso, iniciativas isoladas foram tomadas desde a década de 1950, como menciona Villares et al. (1979). Segundo esses autores, em 1958 foram iniciadas as provas de ganho de peso na Estação Experimental de Criação e Sertãozinho.

        Mais tarde, ainda de acordo com esses autores, outras centrais de prova foram sendo estruturadas. Em fins dos anos de 1970, Villares et al. (1979) fizeram uma avaliação global dessas provas e observaram ganhos médios de peso iguais a 144,4; 148,1 e 123,6 kg para as raças Mediterrânea, Jafarabadi e Murrah, respectivamente, em 140 dias de confinamento.

        Até a década de 1980, estas foram as ações para identificação e seleção de animais com búfalos de corte. Com respeito à produção leiteira, até 1980, as avaliações e seleção vinham sendo feitas de acordo com Ramos, com base na produção de leite. Após esta data iniciaram-se as seleções com base na capacidade mais provável de produção das búfalas, avaliações estas que, em alguns casos isolados, evoluíram para o uso de modelos mistos com estimativas de BLUP e, mais recentemente, o uso de modelo touro e modelo animal.

        Todavia, apesar de inexistir em programas bem estruturados envolvendo grandes populações de animais desta espécie, alguns trabalhos, como o que vem sendo conduzido na Fazenda Panorama, município de Camaquã, RS, Ramos, indicam a possibilidade de se promover melhorias nos rebanhos brasileiros. Nesta propriedade, onde vem sendo conduzido teste de progênie desde 1990, tem-se conseguido reduções na idade de abate dos animais, que passou de 24 meses em 1989, para 19 em 1992.

        Evoluções são também apresentadas por Villares et al. (1979), para rebanhos leiteiros. Neste caso, esses autores verificaram, para o Estado de São Paulo, incrementos de, aproximadamente, 2.200 kg de leite entre os quinquênios 1964-68 e 1974-78, associados a uma diminuição na duração da lactação de, aproximadamente, 20 dias e aumento no teor de gordura. Como ressalta Ramos6, progressos genéticos têm sido obtidos também para produção de leite em vários rebanhos leiteiros no Brasil.

        No entanto, como ultimamente, esta espécie tem apresentado grande expansão no Brasil com crescimento, segundo Ramos6, de 10% ao ano, é de se esperar o desenvolvimento de programas de melhoramento genético bem estruturados. Esse grande crescimento populacional se deve à capacidade de estes animais serem rústicos, bons conversores de alimento quando explorados para leite e carne, longevos e poderem ocupar espaços não habitados por outras espécies animais exploradas economicamente pelo homem. Baseado nisso, e nos resultados que vêm sendo obtidos, Ramos6 apresentou uma proposta de programa de melhoramento genético da espécie a ser conduzido com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos.

        Cruzamentos também têm sido adotados como forma de se promover melhoria do desempenho como pode ser observado pelos resultados de Marques (1991) (Tabela 5)."

        Fonte: EMBRAPA (2001).


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atualizado em: junho/2002

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