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                                     pesquisa e criação: Armando José Capeletto

        Preá (Galea spixii spixii)

         [preá]      

       Roedor de pequeno porte (400g), rústico, resistente e capaz de viver em diversas condições, a preá é o equivalente brasileiro da cobaia ou porquinho-da-Índia, de origem peruana, que pertence à espécie Cavia porcellus.

        Habita praticamente todo o território nacional e alimenta-se de capins, verduras, tubérculos, etc. Passa relativamente desapercebida pela maioria da população, devido aos seus hábitos arredios, havendo poucos estudos acumulados sobre sua biologia, genética e potencial zootécnico ou como animal de laboratório.

        É altamente consumido pelos habitantes das caatingas nordestinas, especialmente durante as secas que ocorrem periodicamente na região. Sua carne, considerada nutritiva, digestiva e saborosa, é vendida salgada, em diversos mercados populares do Nordeste.

[viveiro de preás do CERAS]        O CERAS/ESAM (Centro de Multiplicação de Animais Silvestres da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, RN) realiza pesquisas sobre as características reprodutivas de preás criadas em cativeiro.

 

 

 

SÃO PAULO (Estado) SECRETARIA DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO. (1985). Manual de orientação para criação de preá. 10p.Introdução
A criação de preá é uma proposta que surgiu em função do agravamento da crise econômica que o país atravessa.
A combinação de fatores como salários arrochados, inflação desenfreada e desemprego, lançou amplas camadas da população em uma situação de miséria quase absoluta.
Apesar do Brasil ter um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e ser um grande exportador de carnes, o consumo per capita tem atingido níveis cada vez mais baixos. A carne está cada vez mais distante do prato da família de baixa renda.
O programa de criação de preá para o autoconsumo das camadas mais carentes da população é uma generalização da experiência popular observada no município de Diadema, São Paulo, e além de ser uma fonte alternativa de proteína animal, visa despertar a discussão e organização em torno das questões de abastecimento alimentar.É um animal rústico, resistente e capaz de viver sob diversas condições, além de resistirem muito bem às doenças. São pouco exigentes quanto à alimentação e sua carne apresenta sabor agradável ao consumo humano. É menos calórica que as carnes de coelho, boi, porco e frango, porém mais protéica que estas.

Onde criar a preá?
É importante que seja em local seco e que bata sol.
Pode ser:
nos fundos da casa
junto a uma horta doméstica ou comunitária
terreno baldioDevemos ter cuidado com alguns animais predadores, especialmente com os gatos.Como se deve criar a PREÁ?
Instalações
As instalações podem ser da seguinte maneira:
nos fundos da casa.
cercado no chão
caixote ou gaiolas empilhadasPiso de ripas
Lateral de tábuas
Telhas de fibrocimento +- 1,20m
Frente de tela

ÁREA RECOMENDADA POR ANIMAL
tipo de rebanho animais/m2
Fêmeas procriando 07
Animais do rebanho 27

Seja qual for o método de construção, é essencial que seja fácil de limpar. Os cercados devem ser mantidos secos e a umidade deve ser evitada. O cercado no chão é de fácil construção e dá bom resultado.Alimentação
Os preás são naturalmente herbívoros e vivem de vegetais, sementes, raízes e tubérculos. Podemos administrar na alimentação dos preás, uma ração suplementar, igual à ração do coelho, e verde à vontade. O verde é importante como fonte de vitamina C, podendo ser utilizados restos de verduras e capim.Vasilhames para alimentação e água:
Os vasilhames para alimentação podem ser dos mais variados tipos. Desde um simples cocho até uma grade. É importante que o animal tenha um fácil acesso à comida.
Garrafas de vidro invertidas, com uma cânula de metal ou mesmo uma simples vasilha de barro ou lata podem ser usados para o fornecimento de água aos animais.Manuseio e Cruzamento
As preás são animais dóceis, relativamente fáceis de se tratar. Devem ser segurados com as duas mãos, uma em volta dos ombros e a outra apoiando as pernas traseiras.
Deve-se tomar muito cuidado ao se segurar as fêmeas prenhes em estado adiantado, as quais não devem fazer esforços violentos.
Para identificar o sexo da preá, devemos inicialmente conter o animal como mostra a figura abaixo e, em seguida, aplicar uma leve pressão em torno da área genital. No macho, o órgão sexual é facilmente projetado para fora.
Sexo Masculino - Sexo Feminino
O cruzamento é relativamente fácil. Um método prático é juntar 10 a 20 fêmeas com um macho. O ideal são 12 fêmeas para um macho. É importante não deixar dois machos no mesmo lote, pois se agridem. Quando as fêmeas estão perto da parição, devem ser separadas.

Reprodução
DADOS DE REPRODUÇÃO
Maturidade Sexual 55-90 dias
Duração do ciclo no cio 16-19 dias
Duração do cio 6-11 dias
Período de gestação 58-75 dias (média=68 dias)
Retorno do cio pósparto 6-8 horas
Peso no nascimento 75-100 gramas
Idade de desmame 14-21 dias
Ingestão de alimentos sólidas pelos filhotes 5 dias
Ninhadas fêmea/ano 3,7 ninhada
Filhotes nascidos fêmea/ano 16,6 filhotes
Filhotes desmamados fêmea/ano 13,9 filhotes
Intervalo médio entre partos 96,3 dias
% natimortos 8,5 %
% mortalidade após o desmame 9 6 %
Peso ótimo de abate macho = 1,0 kg
fêmea = 0,8kgComo controlar as doenças?A preá, apesar de resistente, está sujeito a contrair algumas enfermidades. Todos os animais devem ser examinados regularmente. Os animais doentes perdem peso, ficam tristes e seus pelos tornam-se secos e arrepiados. Os animais com um desses sinais devem ser separados e tratados imediatamente, pois representam perigo para o restante ela criação.
Dentre as doenças que podem eventualmente ocorrer numa criação de preás, a salmonelose é a mais comum - pode provocar desinteria, emagrecimento progressivo, abortos e alta mortalidade, principalmente em filhotes.
Os parasitas são os principais problemas, destacando-se o piolho, a sarna, os vermes. A sarna provoca coceiras generalizadas e queda de pelos, e é muito contagiosa.Como abater?
O peso ótimo de abate é em torno de 1 kg para machos e 0,80 kg para a fêmea. A idade é variável, podendo ser de 8 a 12 meses.
A preá pode ser abatida com uma pancada na cabeça, usando-se um pedaço de madeira e, em seguida, deve ser sangrada cortando-se as veias do pescoço.
Depois do animal morto, devemos submergi-lo em uma vasilha contendo água fervente por 30 segundos, em seguida raspar o pelo com uma faca bem afiada.
A seguir abrir a barriga com uma faca, e retirar as vísceras. Limpar com água corrente, cortar em pedaços, temperar e cozinhar.Como Preparar?
Existem as mais variadas maneiras de preparar: podem ser grelhadas, assadas, fritas, etc.
Daremos a seguir algumas receitas:

Preá a Passarinho
1 preá
sal e pimenta a gosto
óleo para fritar
Modo de Preparar
Cortar a preá em pedaços pequenos
Temperar e fritar em óleo bem quente
Servir com arroz brancoPreá à Moda
1 preá cortada em pedaços
4 cenouras de tamanho médio, cortadas em rodelas
50 g de gengibre picadinho ou salsinha e cebolinha à vontade
sal a gosto
2 colheres de óleo
1 copo de águaModo de Preparar
Colocar na panela de pressão o óleo, a água, o gengibre, a cenoura e a preá. Deixar em cozimento por 15 minutos. Servir com arroz branco.
A cenoura pode ser substituída por batata ou mandioca.Preá com molho de cebola
1 preá
6 colheres (sopa) de óleo
2 colheres (sopa) de margarina
1 kg de cebola
sal
pimenta do reino
1/2 copo de vinagre branco
1/2 copo de água
Modo de Preparar
Corte a preá em pedaços, aqueça a metade do óleo e então frite os pedaços, deixando dourar. Enquanto isso, aqueça o restante de óleo e a margarina
e refogue a cebola picada fino, deixando ficar bem transparente, sem escurecer.
Tempere os pedaços de preá com sal e pimenta do reino e junte a cebola refogada no óleo e na margarina. Cubra tudo com o vinagre e a água, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo bem baixo. Sirva acompanhado com batata cozida no vapor e arroz branco.
PREÁ (trecho de resumo de seminário 1511A2 ) "São duas as espécies existentes de preás no Brasil:
A de nome científico Cavia aperea é encontrada nas regiões Sul e Sudeste, Argentina e Paraguai. Vive em bando no brejos e proximidades das matas úmidas.A outra - batizada cientificamente de Galea spixii spixii - é típica do Nordeste. Roedor rústico, vive em bandos e é um dos mamíferos mais comuns da caatinga. Geralmente faz seus ninhos em moitas de cactos e bromélias e em pequenos buracos.A preá já foi muito perseguida pelas populações rurais, que apreciavam sua carne e chegavam a compará-la à carne de coelho. Esse hábito hoje em dia persiste na Região Nordeste, especialmente entre as famílias mais pobres que, muitas vezes, encontram nesse pequeno roedor a única fonte de alimento.A Escola Superior de Agronomia de Mossoró (ESAM) no Rio Grande do Norte mantém um criadouro de preás para pesquisas no Centro de Multiplicação de Animais Silvestres, onde podem ser encontrados vários outros animais nativos do semi-árido (mocó, por exemplo). Além de contribuir para preservar essas espécies, o criadouro ajuda a difundir tecnologias de produção.Muita gente pensa que o preá é da mesma espécie do porquinho-da-índia, devido à grande semelhança com este animal. Na verdade, eles são da mesma família - a dos Caviídeos, mas de espécies distintas.O porquinho-da-índia, de nome científico Cavia porcellus, é originário dos Andes. Foi levado para a Europa pelos conquistadores e lá se popularizou como animal de estimação. A origem do nome porquinho-da-índia deve-se pelo mesmo equívoco pela qual a população nativa do Brasil na época do descobrimento foi chamada de índios. A preá não possui aquela pelagem tricolor ordenada do porquinho-da-índia.FICHA DO BICHO
Nomes científicos: Galea spixii spixii e Cavia aperea
Nomes populares: preá, porquinho-da-índia, cui (espanhol), ginea pig (inglês)
Classificação: pertence à ordem dos roedores e à família dos Caviídeos. As três espécies existentes fazem parte de dois gêneros: Cavia e Galea.
Características: atingem até 30 em de comprimento e cerca de 1 kg de peso. Possuem orelhas pequenas. patas curtas e cauda não visível. São comestíveis e vastamente usados como cobaias em laboratórios.
As preás que vivem no Sul do Brasil têm pelo áspero, tendendo entre o castanho e o cinza-escuro. A espécie nordestina distingue-se pelas manchas brancas que tem junto às orelhas. Vive em bandos dentro de brejos e beiradas de matas úmidas e faz pequenas galerias no meio do capim.
Há quem confunda a preá e o porquinho-da-índia com o hamster. Além do tamanho e da aparência geral serem diferentes, a diferença mais óbvia de comportamento é que o hamster pega a comida com as patas da frente, enquanto as preás só a usam para se apoiar e se locomover.
Ocorrência: a preá selvagem (Cavia aperea) é encontrado no Sul do pais. no Paraguai e na Argentina. A outra espécie de preá (Galea spixii spixii) pode ser vista no nordeste brasileiro. O porquinho-da-índia (Cavia porcellus) vive originalmente nos Andes, mas é criado no mundo todo.
Alimentação: herbívoros, alimentam-se de verduras, legumes, sementes, raízes, tubérculos, folhas, talos (exceto alface, porque íon muita água e pode ocasionar diarréia) e ração de coelho.Reprodução: as fêmeas ficam maduras sexualmente no 6º mês de vida. Estão no cio quando se agitam e a vulva incha. O macho, então, começa a dança nupcial em volta da fêmea e mexe a boca como se estivesse mastigando. A aprovação acontece quando a 2~ passa a emitir guinchos e a repetir o movimento da boca do macho. A gestação dura cerca de 60 a 70 dias e o número de fihotes em geral é de 2 ou 3, que nascem de olhos abertos e com pêlos. Mamam por 2 a 4 semanas e depois passam a se alimentar de comida sólida.
Curiosidades: seus maiores predadores em hábitat natural são as cobras, os cães do mato e principalmente o homem. Por esse motivo, as preás evitam andar a céu aberto. Andam em pequenos grupos com 6 a 15 indivíduos. Emitem um som como cuin-cuin fino e aflautado. Apreciam cana-de-açúcar. "


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atualizado em: maio/2002

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