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pesquisa e criação: Armando José Capeletto

Suínos

 

[tipos de suínos]

 

Figura 1 - Comparação entre suínos tipo banha (acima) e tipo carne (abaixo).

   A maior quantidade de tecido adiposo garante ao primeiro melhor isolamento térmico.

 

Origem e domesticação do porco (Sus scrofa)

  • O javali selvagem eurasiano só foi descrito cientificamente por Linnaeus em 1758. Porém, mais de 9.000 anos atrás, esse animal já teria sido domesticado, originando o porco doméstico.

  • Sua distribuição geográfica original estendia-se por vastas áreas da Europa, Ásia e Norte da África, conforme se nota no mapa abaixo (Figura 2). Em algumas regiões ainda existem javalis selvagens, como em reservas da França.

  • Altamira, Espanha: desenhos pré-históricos de javalis datam de 12.000 BP (Before Present);

  • Domesticação provável: Ásia (China) e Europa, cerca de 9.000 anos BP.

  • Posição entre os mamíferos artiodáctilos:
    • Subordem Suinae: porcos, pecaris e hipopótamos: artiodáctilos primitivos.
    • Subordem Tylopoda: camelos e lhamas: artiodáctilos intermediários.
    • Subordem Ruminantia: gado, antílopes, cervos e girafas: artiodáctilos superiores.

[distribuição geográfica]

  Figura 2 - Comparação entre as distribuições geográficas do porco e do javali, com a subfamília dos taiassuídeos.

 

 

Atributos anatomofisiológicos

  • Por sua capacidade de domesticação, os porcos têm sido criados em qualquer parte do mundo, mas têm pouca adaptação a climas quentes.

  • Ao nascerem, são hipoglicêmicos, o que pode ser agravado pelo frio ou por dietas pobres em carboidratos. Porcos jovens são mais sensíveis ao frio e os adultos, ao calor.

  • Têm estrutura anatomofisiológica semelhante à do homem, exceto glândulas sudoríparas.

  • Possuem os pelos agrupados e apenas 2 a 3 glândulas sudoríparas/cm2 de pele. Assim, praticamente não usam a sudoração como mecanismo termo-regulador.

  • Coloração da pelagem ajuda na termo-regulação.

  • Tecido adiposo (20% de água) favorece isolamento térmico. Suínos tipo banha adaptam-se melhor ao calor do que suínos tipo carne.

  • Procuram a água com frequência (condutibilidade da água = 2000; do ar = 100).

  • No calor, entram em torpor térmico: ficam calmos, deitados, sonolentos, quase em estado de latência

  • Possuem baixa tolerância ao calor - correm risco de vida a partir de 35ºC.

   

Os falsos porcos da América do Sul

    Apesar de sua semelhança com os porcos e javalis, os "porcos do mato" sul-americanos (cateto e queixada) pertencem a outro ramo dos suídeos e têm características distintas, conforme se observa na tabela I, abaixo.

    Embora tenham sido caçados por vários séculos e sua carne seja apreciada por muitos, somente em anos recentes vêm sendo feitos estudos e tentativas de criação sistemática em cativeiro, visando à domesticação dessas espécies.

 

Cateto ou pecari-de coleira

Figura 3 - cateto.

Queixada

Figura 4 - queixada.

 

Tabela I - comparação entre os taiassuídeos americanos e os suídeos eurasianos:

Ordem

Artiodactyla

Subordem

Suinae (Suiformes)

Família

Tayassuidae

Suiidae

Espécie

Cateto

Queixada

Porco

Javali

Nomes científicos

Tayassu tajacu

T. pecari,

T. albirostris

Sus scrofa

Sus scrofa

Número de cromossomos

-

-

38

36

Comprimento

75 - 100 cm

95 - 140 cm

90 - 200 cm

125 - 180 cm

Altura no garrote

40 - 50 cm

40 - 55 cm

55 - 110 cm

75 - 120 cm

Peso

20 kg

45 kg

44 - 320 kg.

120 - 200 kg

Comprimento da cauda

2,0 - 4,5 cm

15 - 40 cm

Crânios

Figura 5

Figura 6

Número de dentes

38

até 44

Caninos superiores

Relativamente pequenos, crescem reto para baixo

Crescem curvando-se para cima e para fora da boca

Patas traseiras

3 dedos (2 funcionais)

4 dedos (2 funcionais)

Glândula de cheiro

Presente na linha dorsal média

Ausente

Vesícula biliar

Ausente

Presente

Estômago

Complexo, com 3 cavidades

Simples

Comportamento social

Gregário (5 a 15 animais)

Gregário (até 100 animais)

Solitário


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atualizado em: abril/2002

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